A tragédia de SC tem muitos culpados além da meteorologia
Gente, olha eu de novo prá falar de políticos…..
Eu fui pro sul do país em 1981 para descansar alguns dias com minha esposa e passarmos o ano novo por lá. Nossa primeira parada foi em Curitiba, e dois dias depois, numa tarde chuvosa chegamos no hotel em Blumenau, às margens do rio Itajai que corta a cidade.
As chuvas de dezembro fizeram o rio transbordar, alagando o porão do hotel e interrompendo o funcionamento das máquinas e caldeira. Estávamos sem água nos quartos. Me lembro que encontramos outros paulistas, que sairam prá jantar mais cedo que nós, e compraram água mineral para tomar banho.
Nós ficamos um pouco mais no hotel e o fornecimento de água foi restabelecido ainda durante a noite. No dia seguinte saímos logo cedo, e vimos o esforço da comunidade, limpando lojas, calçadas, casas, etc.. Essa cenas ficaram marcadas em nossas mentes, com o rótulo de um povo que encontra forças para superar situações difíceis assim, no primeiro momento após o rio ter baixado.
Acontece que quase todo ano é a mesma coisa. O rio enche, a correria acontece, tudo fica sujo e estragado, e a população espera a água abaixar pra limpar, reconstruir, e dar entrevistas falando sobre a força que o povo catarinense tem para se recuperar de cada tragédia.
Esse ano a coisa foi pior que em anos anteriores, morreram mais pessoas, os estragos foram maiores, as indústrias vão demorar mais para retomarem a produção, o turismo sofreu um golpe tremendo, e assim por diante.
Nessa semana eu também assisti a um documentário que mostrou como algumas terras mais baixas que o mar, mantem cidades convivendo com a possibilidade de enchentes a qualquer “marola” um pouco mais alta.
Cidades como as da Holanda, como Veneza na Itália, etc.. Há decadas atrás foram planejadas as comportas e quebra mares, os famosos diques foram planejados para serem aumentados até onde o conhecimento dos responsáveis pelos governos alcançava.
Mas eles também erraram. Vinte, trinta anos atrás ninguém previa o aquecimento global, fenômeno que faz com que as águas dos mares aumentem devido ao degêlo que ocorre nos polos. Mas assim que os dados referentes a esse fenomeno começaram a ser confirmados, lá foram eles, os governantes responsáveis por estas comunidades, iniciar um novo ciclo de planejamento, para evitar o pior. Hoje há engenharia, tecnologia e recursos materiais para fazer isso,……..basta um pouco de inteligência, capacidade e vontade.
E aqui no Brasil?
E lá em Santa Catarina?
Lá no Vale do Itajaí?
Aquela Blumenau que eu e minha esposa visitamos a 27 anos atrás, continua do mesmo jeito. ã mercê das águas do rio. À mercê da ignorância, do pouco caso, da preguiça não do povo, mas dos governantes que passaram por lá.
Vi na televisão bombeiros que estavam trabalhando no socorro aos desabrigados, que também perderam suas casas em deslizamentos de terra. Gente, um bombeiro não deveria morar em área de risco! Mas vai lá saber as causas que os levaram a ser bombeiros ou de levarem suas famílias para o pé dos morros.
A culpa é da cultura do nosso povo. Da cultura, usos, costumes e vícios dos nossos representantes. Do nosso sistema, da nossa acomodação frente a fatos como esses que ano após ano, invadem o noticiário dos telejornais, que mobilizam o país inteiro para mandar ajuda…..enquanto a verdadeira doença ficará encubada pra voltar no ano que vem.